Arquivos Mensais: dezembro 2007

Set the Controls for the Heart of the Sun

Little by little the night turns around
Counting the leaves which tremble at dawn
Novices lean on each other in yearning
Under the leaves the swallow is resting
Set the controls for the heart of the sun
Over the mountain watching the watcher
Breaking the darkness waking the grapevine
One inch of love is one inch of shadow
Love is the shadow that ripen’s the wine
Set the controls for the heart of the sun
The heart of the sun
The heart of the sun
Witness the man who raves at the wall
Making the shape of his question to heaven
Whether the sun will fall in the evening
Will he remember the lesson of giving
Set the controls for the heart of the sun
The heart of the sun
The heart of the sun

Letra de George Roger Waters, 1968

O amor é a sombra que faz o vinho amadurecer“.

Feliz Natal e Feliz Ano Novo a todos !

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Sonho de Aniversário

Depois do almoço, o céu fica cor-de-chumbo, faz calor, ameaça chover. No jardim cheiroso ocorre a procissão de carros, carros pretos. As portas se abrem, descem as crianças e suas mães. Suas mães mostrando o caminho, as crianças segurando presentes nas mãos. Mãos suadas. Ao meu lado, um menino, muito vivo, muito gordo, muito suado também. Somente as mães. Os pais ? Os pais não virão. Estão ganhando o sustento de suas famílias. Ou talvez melhor, passeando nos braços de suas amantes. Ou nas corridas de cavalo. Ou nas mesas de carteado. Ou o que for. Os pais não vão. Mais tarde, a procissão de carros pretos voltará, esparsa, para buscar as crianças. Ao meu lado, um menino, vestido de preto, como um gangster, chora. A mãe, a irmã, tentam convencê-lo : “mas fica tão bonito com essa roupa de homem, e fica tão mais bonito se não chorar…” O menino chora, choro incômodo. Depois do almoço o céu cor de chumbo guia-me até a festa. Salão lotado. Riso desenxabido da mãe do menino. Paredes escuras, decoradas com motivos de aniversário. Tanta, tanta gente. O vento soprando. Todas as crianças para dentro do salão. Cessaram os carros, todos estão presentes. Sinto cheiro de plástico, plástico dos brinquedos. A chuva está descendo lá fora, violenta, com o vento. De repente, um estouro. Apaga-se a luz. Crianças gritando, crianças inquietas. Mães rezam parlendas : o touro é valente, bate na gente. Mães reunem-se no centro da mesa : cadê os pais do aniversariante ? Não consigo dizer, não tenho pais. Mães se reunem, cantam parabéns. Desafinado parabéns, gritos das crianças. Agora podem cortar o bolo, um bolo branco imenso de não sei quantos andares cheio de creme e de algo doce por dentro. Doce de doer a cabeça, doce de doer o dente. Enquanto comem o bolo, pego um copo de um refresco qualquer e sento-me para ver a chuva. Primeiro a chuva caía, histérica, agora a chuva cai, tranquila, molha o verde, encontra as águas, molha os olhos. Fecho os olhos, penso que passou um segundo. Não foi. Foi uma eternidade. Olho para o salão vazio, sem ninguém, para a bagunça dos pratos, dos copos jogados em qualquer lugar, dos riscos dos sapatos envernizados dos meninos no assoalho. Então todos os carros pretos vieram e recolheram os meninos e meninas, com sono e guarda-chuvas. Então os pais voltaram para casa e regozijaram-se silenciosamente de suas conquistas amorosas, de sua sorte no jogo ou nas corridas de cavalo. Então as mães ergueram os olhos para o céu, rezaram e perguntaram-se mais uma vez até quando. Eu abri os olhos, e fiquei feliz : quem me dera, aniversário igualzinho ao do ano passado. O touro é valente, bate na gente. Mas meu maior presente, conto para quem quiser ouvir, nesse ano foi a chuva.

 

 

(out-2000)

Uma Nova Casa

Encontrei uma nova casa, algo que estava procurando já há muito tempo.

Acho que agora é possível partir para uma segunda fase, textos novos, histórias novas, impressões novas. Impressões de Fevereiro, Abril ou Dezembro.

Hora de recomeçar. Um ótimo Natal a todos, um ótimo Ano Novo.  Hora de recomeçar.