Poema Enlutado

Quando a chuva cair e molhar
suas mãos ensanguentadas,
pense naqueles que você mata todos os dias,
em seu Holocausto particular.

Não há sabão no mundo,
capaz de limpar o sangue de suas mãos.

As lentes da câmara são como espelhos:
a face pode até falar,
mas o reflexo
ah, o reflexo da imagem é mentiroso.

Jamais há de enlutar-se,
porque todos foram perdidos.
E você anda todos e todos os dias,
Como um espectro que vaga por aí,
sem qualquer utilidade a alguém
senão ao que pensa à sua própria desalma.

Meus amigos de verdade, meus irmãos, minhas irmãs,
Minhas paixões infinitas,
Meus traidores, meus inimigos,
meus falsos ou convenientes amigos,
Todas as almas perdidas,
Todos os meus amores,
que erraram mesmo em sua infinita bondade,
Na sua infinita complacência, na sua infinita
humanidade,
Todos aqueles que me mataram:
Saibam todos que ressuscitei no mesmo dia.

Todos eles estão perdoados,
(se é dado a mim perdoar)
Todos eles habitam meu coração.

No entanto, lamento informar ao seu espectro:

Jamais perdoaremos.
Nunca esqueceremos.

Por enquanto,
a chuva vai começar.

TIRE AS SUAS MÃOS IMUNDAS DO MEU DESERTO.
DESAPAREÇA.

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